34 C
Santo Antônio de Jesus
segunda-feira, outubro 18, 2021

setor produtivo no Brasil reforças críticas à variedade transgênica

As associações que representam a indústria do trigo e de derivados do cereal, a Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo), a Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) e a Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria (Abip), se manifestaram contrárias à importação e à comercialização de trigo geneticamente modificado (OGM) e da farinha dele proveniente no Brasil.

Em coletiva de imprensa realizada na tarde desta segunda-feira, 27, presidentes das associações rejeitaram a possível aprovação do cereal. “O posicionamento da indústria do trigo é unânime e contrário ao trigo transgênico”, disse o presidente executivo da Abitrigo, embaixador Rubens Barbosa.

No país, liberação comercial de trigo e farinha transgênicos para consumo humano e animal é discutida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

A Comissão está em processo confidencial de avaliação da permissão da comercialização do trigo OGM da variedade HB4 para “aumento de produtividade em situações e ambientes de baixa disponibilidade hídrica e resistente ao (herbicida) glufosinato, para uso exclusivo em alimentos, rações ou produtos derivados ou processados”. O pedido foi feito pela Tropical Melhoramento & Genética (TMG), que representa neste processo a empresa argentina de biotecnologia Bioceres, detentora do cultivar. O parecer final da comissão sobre o assunto deve ser conhecido no início de outubro, em reunião mensal do Conselho.

Barbosa disse que a indústria não possui novos detalhes, além dos públicos, sobre o processo que tramita na CTNBio. “Estamos aguardando manifestação da CTNBio sobre aprovação de trigo geneticamente modificado no Brasil. Nossa preocupação é pela incerteza do que possa significar eventual trigo transgênico no Brasil”, destacou o presidente executivo da Abitrigo.

Na avaliação da associação, a transgenia do trigo é um tema mais delicado e sensível do que de outras commodities agrícolas, pelo fato de o cereal ser usado majoritariamente para alimentação humana. “Trigo transgênico é um tema sensível porque, junto com o arroz, é um dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros”, pontuou.

Barbosa lembrou que, no passado, houve resistência da opinião pública para aprovação de soja e milho transgênicos. “Soja e milho OGM são usados para consumo animal, enquanto trigo é 99,9% destinado a consumo humano”, destacou Barbosa.

Presidente da Abimapi, Claudio Zanão, reiterou o posicionamento contrário da indústria ao trigo geneticamente modificado. “Trigo transgênico não aumenta produtividade e nem a segurança alimentar ao consumidor. Não há necessidade de trigo OGM no Brasil; não precisamos ser cobaias”, disse Zanão, destacando que nenhum país adotou a comercialização deste tipo de cereal até então. “Queremos continuar com nossos produtos livres de possibilidade de transgenia. O trigo transgênico pode causar sérios problemas no mercado interno e externo”, ressaltou.

Também presente na coletiva, o presidente da Abip, Paulo Menegueli, destacou que o cereal transgênico é mais uma preocupação para o setor de panificação, que foi prejudicado pela pandemia de Covid-19. “Já perdemos receita com a pandemia. Não precisamos de mais uma preocupação com trigo OGM. Não temos espaço de perda de faturamento e de preocupação a mais, além dos custos com energia, água e perdas com a pandemia”, disse Menegueli. “Se o trigo OGM avançar, o setor de panificação não comprará trigo vindo da Argentina”, assegurou.

Na Argentina, o plantio da variedade HB4 é permitido desde outubro do ano passado. Barbosa, da Abitrigo, disse que, segundo informações da Embaixada do Brasil na Argentina, o cultivo do cereal transgênico atingiu cerca de 50 mil hectares na safra 2021/22 no país vizinho. A colheita do trigo OGM deve somar entre 200 mil e 250 mil toneladas. “É uma produção pequena, mas será comercializada”, disse, lembrando que o ano comercial para as exportações do cereal argentino se inicia em 1º de dezembro.

Segundo informações da Abitrigo, o governo argentino estabeleceu medida regulamentar firmando que a comercialização de trigo transgênico local precisaria de autorização do Brasil para importação. “Eles não querem produzir lá sem poder exportar para o Brasil.” O Brasil importa entre 55% e 60% do trigo consumido anualmente. Deste volume, cerca de 85% provêm da Argentina. “A Argentina é o principal fornecedor de trigo ao Brasil. Por isso a nossa preocupação”, pontuou o presidente executivo da Abitrigo.

Ver Matéria Original

Relacionadas

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Redes Sociais

953FãsCurtir
11,254SeguidoresSeguir
79SeguidoresSeguir
Santo Antônio de Jesus
nuvens quebradas
34 ° C
34 °
34 °
30 %
4.6kmh
81 %
seg
33 °
ter
34 °
qua
35 °
qui
29 °
sex
28 °

Últimas Publicações

error: Conteúdo Bloqueado!